Desde seu surgimento, a Agricultura Orgânica* busca gerar sistemas de garantia que possam dar a conhecer ao consumidor/a a qualidade de seus produtos. Estes sistemas de garantia da qualidade orgânica surgiram como iniciativas dos próprios agricultores, que buscavam diferenciar o seu trabalho com uma marca que os identificassem. Com o tempo, acabaram se transformando em um intricado mecanismo que envolve leis, normatizações, credenciamentos, inspeções, contratos, certificados, selos e, ainda, fortes interesses comerciais alheios ao produtor orgânico.
Esta ‘complexificação’ nos sistemas de garantia trouxe benefícios, mas também conseqüências negativas, mormente para os pequenos produtores. A Agricultura Orgânica se beneficiou ao ser-lhe conferido um status legal, aumentando seu reconhecimento na sociedade e nas esferas internacionais. Por outro lado, o custo da certificação, e a sofisticação das regras e dos procedimentos impediram que milhares de pequenos produtores ingressassem ao setor orgânico e que os consumidores acessassem a alimentos saudáveis, principalmente nos países do sul.
Nos últimos anos, este problema foi enfrentado em diversas regiões do planeta por diferentes organizações (produtores/as, consumidores/as e instituições de apoio).
Dentro das alternativas geradas, surgiram diferentes metodologias que buscam avaliar a conformidade de produtos e processos com as normas de produção Orgânica. Estas se baseiam na busca da participação dos/as atores interessados/as e em procedimentos adaptados a diferentes contextos políticos e realidades socioculturais. Atualmente a denominação “Sistemas Participativos de Garantia” (SPG) identifica a muitas destas metodologias.
Existem experiências de produção orgânica com estes sistemas de garantia em vários países de todos os continentes.
IFOAM (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica) e MAELA (Movimento Agroecológico da América Latina e do Caribe) realizaram em 2004, em Torres -Brasil, o Seminário Internacional sobre Certificação Alternativa, que estimulou processos de multiplicação de experiências, assim como a busca de formas de reconhecimento, legitimação e legalização dos SPGs. Neste contexto, IFOAM e MAELA, com o objetivo de dar continuidade a este processo, além de trocar experiências para identificar estratégias e ações que disseminem a adoção e a aceitação dos SPGs, novamente somaram esforços e promoveram o Seminário Latino-americano sobre Sistemas Participativos de Garantia. Organizado pela ONG Centro Ecológico, o seminário foi realizado no município de Antonio Prado, no Rio Grande do Sul, Brasil, de 22 a 27 de outubro de 2007.
Os/as 46 participantes provenientes de 16 países, principalmente latino¬americanos, reafirmam publicamente através deste documento, que os SPGs são mecanismos válidos para gerar credibilidade ao produto orgânico, e um instrumento necessário para possibilitar o acesso ao mercado por todos os/as atores/as envolvidos/as na produção e consumo destes; sendo, além disto, uma ferramenta eficiente na construção de redes de conhecimento.
Os/as participantes consideram que os marcos legais dos distintos países devem reconhecer os SPGs em toda sua diversidade, sem impor procedimentos que levem a descaracterização destes sistemas. Devem ainda prever mecanismos de fomento à produção orgânica, sem se limitar apenas aos aspectos de fiscalização e controle.
De acordo aos princípios da Agricultura Orgânica, o mercado prioritário para os/as produtores/as que estão envolvidos nos SPGs, são os mercados locais e nacionais. Mas, em função dos diferentes contextos nos quais estão inseridos, muitas vezes os/as produtores/as tem a necessidade de acessar ao mercado internacional. Acreditamos ainda que a credibilidade do produto ou processo gerada pelos SPGs no pode ser limitada por espaços geográficos. Por tanto, os/as participantes manifestam seu apoio ao reconhecimento internacional dos SPGs e a possibilidade de que os produtos garantidos por estes processos possam transitar entre os diferentes países.
A incorporação dos/as consumidores/as nos SPGs é considerada de suma importância por todos os/as envolvidos nestes sistemas e nos comprometemos a fazer os esforços necessários para conseguir uma maior participação destes atores.
Finalmente, reafirmando o compromisso do anterior Seminário, IFOAM e MAELA, além de todas as organizações participantes, se comprometem a fomentar os Sistemas Participativos de Garantia nos países onde estão presentes e em seus espaços de representação internacional.
Antônio Prado, RS, Brasil, 26 de outubro de 2007.
* Neste documento o termo Orgánico é sinónimo de Agroecológico, Ecológico e Biológico.
Martin Eimer
IFOAM
Alemanha
Maria Calzada
El Rincón Orgánico
Argentina
Patricia Flores
IFOAM
Argentina
Abel Jarro
Ecoferia Cochabamba
Bolivia
Daniel Vildozo
AOPEB
Bolivia
Georgina Catacora
Agrecol
Bolivia
Nélson Ramos
AOPEB
Bolivia
Cláudia Moreira
ADAO
Brasil
Cristina Ribeiro
ABIO
Brasil
Francismar C. da Silva
Xique-xique
Brasil
Irene García Roces
ACS
Brasil
Laércio Meirelles
Centro Ecológico
Brasil
Leandro Venturin
Centro Ecológico
Brasil
Luiz Carlos Rebelatto
GTZ / MDA Federal Brazilian Government
Brasil
Marcelo Nunes
SAF/ MDA Federal Brazilian Government
Brasil
Marcelo Passos
Rede Ecovida
Brasil
Maria F. Fonseca
PESAGRO-RIO
Brasil
Roberto Mattar
MAPA Federal Brazilian Government
Brasil
Rogério Rosa
Heiffer Brasil
Brasil
Romeu Leite
ANC Campinas
Brasil
Mário Ahumada
MAELA
Chile
Patricia Antillero
Tierra Viva
Chile
Marbelis Del Carmen
RECAR
Colombia
Tarcisio Aguilar
La RECAB Antioquia
Colombia
Antony Garcia
CDS
Costa Rica
Maureen Lizano
Comitê Mercados
Costa Rica
Carlos Padilla
CLUSA
El Salvador
Israel Morales
CLUSA
El Salvador
Diego Andrade
VECO
Ecuador
Benjamín Macas
CEA
Ecuador
Eva Torremocha
Andaluzia
España
Fabio Piccioli
ICEA
Italia / Italy
Felipe Iñigues
MAELA
México
Fidel Mejia Lara
Red Tianguis
México
Cesar López
CIPAE
Paraguay
América Gonzalez
Altervida
Paraguay
Hipólito Vidal
SENAVE Paraguayan Government
Paraguay
Alfredo Rincon
ANPE
Perú
Daniel Carrion
ANPE
Perú
Jannet Villanueva
Tierra de hombres
Perú
Mariela Wismann
Heifer Peru
Perú
Mario Tapia
ANPE
Perú
Rodolfo Magne
SSNC
Suecia / Sweden
Betty Mandl
DGSA del MAG Uruguayan Government
Uruguay
Hugo Bértola
APODU
Uruguay
Noelia Gimenez
Red de Agroecologia
Uruguay